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Permanente
e Provisório.
Pois
se não muda o objeto,
muda
todo o contexto.
E-mail
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Ele falava nisso todo dia
Ele falava nisso todo dia
A herança, a segurança, a garantia
pra mulher, para a filhinha, pra família
Falava nisso todo dia
Ele falava nisso todo dia
Ele falava nisso todo dia
O seguro da família, o futuro da família,
o seguro, o futuro
Falava nisso todo dia
Ele falava nisso todo dia
A incerteza, a pobreza, a má sorte
Quem sabe lá o que aconteceria?
A mulher, a filhinha, a família desamparada retrata a carreira frustrada de um homem de bem
Ele falava nisso todo dia
O seguro de vida, o pecúlio.
Era preciso toda a garantia
Se a mulher chora o corpo do marido, o seguro de vida, o pecúlio
darão a certeza do dever cumprido
Ele falava nisso todo dia
Ele falava nisso todo dia
Se morresse ainda forte, um bom seguro era uma sorte pra família
A loteria - Falava nisso todo dia
Era um rapaz de vinte e cinco anos
Era um rapaz de vinte e cinco anos
Hoje ele morreu atropelado em frente à companhia
de seguro
Oh! que futuro!
Oh! Rapaz de vinte e cinco anos
Ele falava nisso todo dia Gilberto Gil 1967
Atualizado
em 24/05/2005
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Sábado, Maio 28, 2005
Então. Por indicação do grande e internacional Vitor, aluguei o "Adeus Lênin" para assistir em plena sexta-feira a noite ("Você tá ficando mudado, xiii, você tá sumindo").
Eu gosto desses filmes, cuja trilha sonora é feita basicamente nas teclas agudas do piano, e quando a coisa fica tensa, o pianista passa a tocar nas teclas graves.
Enfim, ficam três dúvidas principais no ar:
- Vale a pena viver uma ilusão para se viver em paz?
- Vale a pena a liberdade de consumo e de escolha em troca de sua cultura, seus princípios, suas tradições e os direitos básicos a casa, saúde e educação?
- Vale a pena uma sociedade supostamente igual em troca da liberdade de expressão e do direito de ir e vir?
A primeira pergunta eu respondo um SIM bem grande e em caixa alta. Sendo essa ilusão criada pelos outros para te enganar ou sendo criada por você mesmo para se enganar.
As outras, eu deixo em aberto, afinal o mundo vem discutindo (e guerreando por, e matando por) isso faz tempo. Eu deixaria mais uma pergunta:
- Não tem um meio termo não?
[]´s
Caju
9:37 AM
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Sexta-feira, Maio 27, 2005
Jam session no palco do Circo Voador. No palco Lenine, Otto, Lirinha (Cordel do Fogo Encantado) e Junior (Sandy&Junior). Junior??????? Quem não esteve lá, não me pergunte. Só sei que foi assim. Ele chegou, tocou guitarra, cantou Marcelo D2 e saiu, meio aplaudido, meio vaiado. Depois voltou, tocou bateria para a Fernanda Abreu cantar e foi embora de novo.
E eu, despido de todo meu preconceito admito, ele mandou bem para cacete.
Mas aquela roupinha, com aquele cabelinho. Pense num negócio que não combina. Então...
"Alzira na rua do hospício
No meio do asfalto, fez um jardim
Em que paraíso distante, Alzira,
Ela espera por mim?"
Lenine & Lula Queiroga
Porquê o mundo anda mesmo muito louco...
[]s
Caju
7:51 AM
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Terça-feira, Maio 24, 2005
Oriente
(Gilberto Gil - 1971)
Se oriente, rapaz
Pela constelação do Cruzeiro do Sul
Se oriente, rapaz
Pela constatação de que a aranha
Vive do que tece
Vê se não se esquece
Pela simples razão de que tudo merece
Consideração
Considere, rapaz
A possibilidade de ir pro Japão
Num cargueiro do Lloyd lavando o porão
Pela curiosidade de ver
Onde o sol se esconde
Vê se compreende
Pela simples razão de que tudo depende
De determinação
Determine, rapaz
Onde vai ser seu curso de pós-graduação
Se oriente, rapaz
Pela rotação da Terra em torno do Sol
Sorridente, rapaz
Pela continuidade do sonho de Adão
*****
A quem interessa
a busca da orientação
devagar também é pressa
de leve também é pressão
A todos os amigos, que como eu, estão aí, ansiosos pelo futuro.
Às vezes eu penso que só eu perco tempo pensando nisso, mas isso é geral. O mundo tem andando inseguro pra caramba nos últimos milênios.
[]s
Caju
4:29 PM
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Segunda-feira, Maio 16, 2005
Casa de Areia
O tempo passa. Simples e invariavelmente passa. E a gente daqui, tentando ficar atento a tudo que acontece, a estar em todos os lugares, a beijar todos os entes, ler todos os livros, ouvir todas as músicas, beber o suco de muitas frutas, mal sabemos que esse esforço seria vão, a busca seria vã, se não existisse a tal esperança. Não essa esperança como expectativa de que algo bom vai acontecer e a nossa vida vai melhorar. Algo maior, do espírito, algo que se é capaz de esperar a vida inteira. Quem espera sempre alcança, mesma que nunca se alcance o desejado.
E junto com o tempo, vai passando a vida. Nem boa, nem ruim. Nem feliz, nem triste. A vida é, e pronto. E nós, humanos, como qualquer objeto colocado neste mundo, estamos aqui apenas para dar seguimento a ela. E não adianta gritar, espernear, nem nada. A gente é um isso pro mundo. E a vida é frágil demais.
E talvez por isso, pela vida e o tempo passarem, da maneira que for, boa, ruim, alegre ou triste, pelo amor que se cria pelos próximos, pelos medos, pela coragem, pelo vazio, pela esperança e pela fé, que tantas pessoas saem tão emocionadas do filme Casa de Areia. O filme não tem nada de mirabolante. É sobre isso do tempo passar, da vida querer viver e de se ter esperança de que se pode ser feliz, algum dia, em algum lugar, ouvindo a música que se quer ouvir.
[]s
Caju
9:25 AM
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Domingo, Maio 15, 2005
100 Anos de Liberdade, Realidade ou Ilusão
Mangueira 1988
"Será que já raiou a liberdade
Ou que foi tudo ilusão
Será, oh será, que a leia áurea tão sonhada
Há tanto tempo assinada
Não foi o fim da escravidão
Hoje, dentro da realidade
Onde está a liberdade?
Onde está que ninguém viu!
Moço, não se esqueça que o negro também construiu
As riquezas do nosso Brasil.
Pergunte ao criador (pergunte ao criador)
Quem pintou esta aquarela?
Livre do açoite da senzala
Preso na miséria da favela.
Sonhei que Zumbi dos Palmares voltou
A miséria do negro acabou
Foi uma nova redenção
Senhor, ai senhor.
Eis a luta do bem contra o mal
Que tanto sangue derramou contra o preconceito racial.
O negro samba, negro joga capoeira
Ele é o rei na verde e rosa da Mangueira.
Anteontem, 13 de maio, foi celebrado o dia da Abolição da Escravatura.
Antigamente, os escravos, na sua maioria negros africanos, trabalhavam na lavoura, na extração de pedras preciosas e em pequenas indústrias. Viviam em senzalas. Se alimentavam mal, geralmente do que sobrava de seus senhores.
E depois de tantos anos eu me vejo cursando uma faculdade que, como tantas outras, busca aumentar a produtividade, e para tal tirar o máximo possível da mão-de-obra assalariada.
Então se trabalha 9, 10, 16 horas por dia, por um trabalho que mal dá para se manter. A maioria da população vive em condições desumanas. Mal dá para comer, mal dá para pagar o aluguel.
O chicote foi trocado pelo terror psicológico do desemprego.
Falar em liberdade em dias que não se sai de casa por medo da violência é complicado. Violência essa causada pelas desigualdades sociais.
13 de maio não passou de 1° de abril (Loa da Nação Porto Rico).
[]s
Caju
6:04 PM
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Terça-feira, Maio 10, 2005
Sobre aquele papo de cativar e coisa e tal
Tem gente por aí que se diz reprimida pelos bons costumes. Outros vão dizer que foi pela educação religiosa. Houve o tempo da repressão política. Eu, diferente de todos, tenho como o meu grande repressor o tal do Saint-Exúpery. Desde que li pela primeira vez o tal diálogo entre o Pequeno Príncipe e a tal raposa, me sinto eternamente responsável por aquilo que eu cativei. O problema todo é que também me sinto responsável por aquilo que nem cativei ainda, ou que me cativou, ou qualquer coisa parecida. O pior é que não vejo reciprocidade por aí, não. É muita responsabilidade em cima de uma pessoa só.
Eternamente é tempo que só a porra.
*****
O que faz o Cartola na propaganda do MC Donalds?
*****
Só para registrar: Sábado, show do Tom Zé. Algo muito louco, diferente de tudo que eu já vi.
Mas a cena que não sai da minha cabeça foi do show de encerramento da Orquestra Popular Céu na Terra. Super orquestra, tocam para cacete. Ouso afirmar que é a melhor nesse estilo (big band cantando música popular) aqui no Rio.
Mas o que não me sai da cabeça é a imagem da percussionista grávida. Que cena linda aquela mulher com aquela barriga tocando com aquele sorrisão no rosto. Principalmente na hora em que ela resolve tocar alfaia. Bonito pela perfeição, pelo movimento, pelo sorriso.
E o pior que eu não achei nada na internet que fale sobre o grupo. Nem comunidade no orkut eles têm.
[]'s
Caju
1:39 AM
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